Desafios da Prática Docente

Atualmente leciono língua portuguesa para alunos entre adolescentes e idosos. 8º e 9º anos no turno da noite, que não é EJA, mas ensino regular. Com este público tão especial em uma situação tão inusitada tenho dois desafios principais e que a princípio podem parecer o mesmo: cativá-los e não perdê-los. A dificuldade para compreender os conceitos linguísticos e gramaticais eu nem considero um desafio, considero natural nestas circunstâncias. Desafio é mantê-los frequentando, já que trabalham durante o dia, cuidam de suas famílias, não estudam há anos ou estão na mesma série há muito tempo e possuem uma baixíssima auto-estima com relação ao estudo. Alguns querem apenas um diploma e desistirão se aprender for muito difícil. Outros querem recuperar o tempo perdido e desistirão caso não aprendam ou se sintam enrolados pelos professores. Este é o desafio, dar uma aula que agrade aos dois públicos, que os mantenha satisfeitos em gastar um tempo em que poderiam estar descansando indo à escola. O segundo desafio é poder contar com a participação ativa deles, daí meu interesse em cativá-los. A ideia que estas pessoas possuem da escola é sentar em silêncio, copiar do quadro, e aceitar tudo o que o professor fala ou então que a escola é aquele lugar que você tem que ir se quiser ser alguém e tenta aguentar como pode o que aquelas pessoas falam. Mas nós, educadores, empenhados na aprendizagem real, com sentido, construída através da reflexão, sabemos não é bem assim. Mesmo que essas pessoas tenham vivido apenas variações destas situações na escola e essas ideias já estejam arraigadas como certeza é preciso tentar contorná-las. Alcançá-los, fazê-los pensar. Neste ponto acrescento ainda a necessidade de se desfazer o mito de que eles não sabem português, que é difícil, que eles não sabem escrever. Dar a eles a chance de escrever com coragem, com vontade, a chance de ler e compreender aquilo que leem, de se divertir e se emocionar. Isso só possível com uma aprendizagem reflexiva, coisa com que eles não estão acostumados e podem até rejeitar. Afirmam que dá trabalho pensar, que preferem só copiar. É preciso cativá-los para que entendam a importância de pensar. Estes são meus desafios, é isto que enfrento a cada dia de aula e em cada momento de planejamento, onde preciso elaborar estratégias para que eles aprendam, se livrem de seus preconceitos com o estudo da língua e ainda não se sintam mal de saírem do trabalho e irem direto para a escola. Sempre espero que eles possam perceber que vale à pena para mim e para eles.

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